O Perigo Dos Termômetros De Mercúrio

Guta Schneider 09/04/2012 0

Semana passada recebi a edição de número 7 da revista Pro Teste Saúde, da Associação Proteste, um órgão de defesa do consumidor que realiza testes com os mais diversos produtos existentes no mercado e presta serviços a consumidores de todo o Brasil. A referida publicação trouxe um alerta muito importante a respeito do risco a que se submetem as pessoas que manipulam os termômetros de mercúrio. Sim, aqueles antigos, de vidro. Além do potencial risco à saúde de pessoas e animais, o mercúrio contamina, também, o meio ambiente.

Imagem: Getideaka / FreeDigitalPhotos.netTodos sabemos ser o termômetro clínico um objeto indispensável em nosso dia a dia. Principalmente os pais de crianças pequenas, estão sempre às voltas com a necessidade de saber se seus filhos estão febris, ou não. Como o termômetro de mercúrio é mais barato do que o digital, a maioria das famílias opta por este tipo, desconhecendo, muitas vezes, o risco a que se expõem.

Para início de conversa, o aparelho de vidro tem menos precisão na leitura da temperatura. Os testes efetuados pela Associação indicaram que essas variações podem chegar a 0,6°C em termômetros usados. Ou seja, essa diferença pode levar a um diagnóstico falso ou deixar de acusar uma febre que esteja presente. Isso é muito sério.

Segundo a revista, os termômetros de mercúrio deixaram de ser fabricados no Brasil sendo que grande parte deles é importada da China. A maioria não apresenta alertas sobre os cuidados que devem ser tomados para o seu descarte e nem as medidas de segurança a serem adotadas caso o vidro se quebre.

O mercúrio é um metal tóxico que, além de causar séria contaminação ao meio ambiente, pode trazer problemas graves à saúde dos indivíduos que a ele se expõem, seja por meio de inalação, seja através do contato com a pele ou outros tecidos. Os sintomas podem incluir febre, dor de cabeça e até problemas neurológicos. As crianças são particularmente suscetíveis aos efeitos nefastos do mercúrio, uma vez que seu sistema nervoso ainda está se desenvolvendo, podendo ter, inclusive, sequelas motoras. Além do sistema nervoso, a exposição prolongada ao metal pode causar problemas nos rins, fígado e pulmões.

Mas o que fazer caso o seu termômetro de vidro se quebre? A primeira providência é isolar o local, fechando janelas e portas e impedindo que outras pessoas e/ou animais tenham acesso a ele. Usando uma máscara cirúrgica e luvas impermeáveis grossas, recolha o metal líquido com uma seringa plástica sem agulha. Em seguida, coloque a seringa e o vidro quebrado em um recipiente com água, feche-o hermeticamente usando uma fita adesiva e rotule-o avisando que contém mercúrio.

O recipiente, assim preparado, poderá ser descartado nos mesmos locais onde descartamos pilhas, lâmpadas fluorescentes, baterias e outros objetos que contêm metais tóxicos. Algumas instituições privadas fazem o acolhimento desses resíduos e os encaminham para empresas especializadas em fazer o descarte de maneira correta. Veja aqui algumas delas: Drogaria São Paulo, Tim, Pão de Açúcar e lojas Leroy Merlin.

Após acondicionar adequadamente o material tóxico, descontamine o local com uma mistura de água sanitária e água e, em seguida, volte a abrir portas e janelas para que haja ventilação. Todo o material utilizado na limpeza deverá ser descartado da forma descrita anteriormente, incluindo luvas, máscara, vassouras e panos.

Embora o termômetro digital seja um pouco mais caro do que o de mercúrio, acho que o investimento vale a pena, principalmente quando se trata de nossa saúde e a daqueles que nos são mais queridos. Economizar alguns poucos Reais hoje, pode representar um prejuízo inestimável no futuro!

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